Produtor aperta o cinto: leite cai 19% em um ano e margens encurtam no campo

O produtor de leite vive um daqueles momentos em que a calculadora vira melhor amiga. Segundo levantamento do Cepea (Esalq/USP), o preço do leite cru caiu 4,2% em setembro na comparação com agosto, levando a “Média Brasil” para R$ 2,44 por litro. No recorte de um ano, a queda real chega a 19%. É a sexta baixa seguida — e os especialistas já avisam que o movimento deve continuar até o fim do ano, reflexo de um mercado interno bem abastecido.

Enquanto isso, os derivados lácteos também seguem no mesmo tom, só que desafinado. Queijos, leite em pó e demais produtos fecharam outubro nos menores valores de 2025, conforme dados do Cepea em parceria com a OCB. A pressão vem de todos os lados, e as indústrias também sentem a falta de fôlego nas cotações.

Outro ingrediente que pesa na receita do setor é o aumento das importações. Entraram no país 214,7 milhões de litros equivalentes de leite em outubro, alta de 8,4% sobre setembro. Já as exportações recuaram 23,2%, fechando em apenas 4,55 milhões de litros. Resultado: o déficit da balança comercial do segmento cresceu 9,4% e chegou a 210,18 milhões de litros. Em dinheiro, o buraco ficou 5,3% maior, somando US$ 90,72 milhões.

Para completar o cenário, os custos de produção voltaram a subir após três meses de alívio. O Custo Operacional Efetivo (COE) avançou 0,52% entre setembro e outubro, puxado principalmente pela valorização dos defensivos agrícolas. A alta, porém, não foi uniforme: Minas Gerais, Paraná e São Paulo registraram aumento, enquanto Bahia, Goiás, Rio Grande do Sul e Santa Catarina tiveram recuos.

O recado do momento no campo é claro: o leite segue escoando, mas o lucro… esse está evaporando.

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