A cena de um agricultor destruindo toda a sua plantação de melancias viralizou e abriu uma discussão quente nas redes sociais. No vídeo, o produtor aparece cortando e descartando os frutos após considerar “inviável” vender pelo preço oferecido pelos compradores. Segundo ele, colocar as melancias no mercado com valores tão baixos significaria trabalhar no prejuízo — algo que, para quem vive do campo, pesa muito mais do que a internet imagina.
O desabafo, porém, não caiu bem para grande parte do público. Entre comentários indignados, internautas apontaram que o produtor poderia ter destinado as toneladas de melancias para famílias vulneráveis ou instituições da região. Para muitos, o desperdício virou símbolo de um problema maior: a falta de sensibilidade em um país onde a fome ainda é uma realidade diária.
A polêmica dividiu opiniões. De um lado, quem entende as dores da lavoura defende que o agricultor também é vítima de um sistema que paga pouco, exige muito e ainda deixa o produtor sem alternativas viáveis quando o mercado desaba. Do outro, cresce o questionamento sobre responsabilidade social e desperdício de alimentos — especialmente quando tantas pessoas dependeriam daquela produção para ter um prato cheio.
O episódio escancara uma pergunta necessária: até onde vai o limite entre frustração e responsabilidade? E, mais do que isso, o que ainda falta para que agricultores tenham opções mais dignas e sustentáveis diante de preços injustos? A discussão permanece aberta — e, pelo visto, com muitos melões ainda por cortar.