Entre tarifas e gripe aviária, agronegócio brasileiro segue firme no jogo

O agronegócio brasileiro tem dado provas de resiliência em 2025. Mesmo enfrentando turbulências – como o caso de gripe aviária em maio e as tarifas impostas pelos Estados Unidos –, o setor manteve o desempenho das exportações praticamente estável, mostrando que, no campo, desistir não é opção.

De janeiro a junho, as vendas externas somaram mais de US$ 82 bilhões, uma leve queda de 0,2% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Cepea/Esalq-USP com base no MDIC. Embora o volume embarcado tenha caído quase 3%, a valorização de 2,7% nos preços em dólar ajudou a segurar a receita. E, para alegria dos exportadores, a desvalorização do real em 5,7% no semestre elevou em 10% o preço internalizado, o que garantiu um faturamento 5% maior em moeda nacional.

Alguns produtos puxaram o bom resultado. Carnes bovina e suína, óleo de soja, celulose e algodão tiveram crescimento nos embarques, enquanto café e suco de laranja brilharam com altas expressivas nos preços. A carne bovina, mesmo com as tarifas norte-americanas, seguiu avançando graças ao apetite de mercados como China, México e Chile.

Já a carne de frango enfrentou meses de tensão após a confirmação de gripe aviária em Montenegro (RS), em maio. A notícia levou alguns países a suspender temporariamente as compras, mas, com os protocolos cumpridos e o Brasil novamente certificado como livre da doença em junho, a confiança voltou. O resultado? Exportações estáveis em volume e alta de 4,5% no faturamento, impulsionadas pela valorização do preço médio.

Olhando para frente, café e suco de laranja devem seguir em alta, enquanto grãos como soja, milho e trigo dependem do ritmo das safras no Hemisfério Norte. A grande incógnita está no efeito das tarifas dos EUA sobre a economia global. Mesmo assim, analistas avaliam que o consumo de alimentos dificilmente vai minguar – afinal, ninguém deixa de comer em tempos de crise.

Se o tabuleiro do comércio internacional realmente se reorganizar, o Brasil pode sair ganhando. O espaço para firmar novas parcerias está aberto, e o agronegócio, que já mostrou força em ano turbulento, parece preparado para transformar desafios em oportunidades.

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