
O tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, em vigor desde 6 de agosto, continua reverberando com força na economia nacional, especialmente em municípios paulistas. Piracicaba, referência na produção de máquinas agrícolas, lidera a lista das mais afetadas, com cerca de US$ 1,3 bilhão em exportações ao mercado norte-americano agora sob forte pressão.
Matão, São Paulo, Guarulhos e outros polos industriais também sentem o peso da sobretaxa — resultado da adição de 40% à tarifa-base de 10% — atingindo carnes, cafés, pescados, máquinas e autopeças. Embora produtos como suco de laranja, celulose e aeronaves da Embraer tenham sido poupados, setores estratégicos como o químico veem risco de retração, com perdas que podem ultrapassar US$ 1,7 bilhão, segundo estimativas da indústria.
Pequenos produtores de café e açaí relatam cancelamentos de contratos e buscam mercados alternativos, enquanto empresas de Piracicaba e de outras cidades apostam na diversificação de destinos, mirando o Sudeste Asiático e a China — que recentemente autorizou 183 empresas brasileiras a exportarem café para seu mercado interno.
No campo político, as tensões aumentaram após o cancelamento, nesta segunda-feira (11), de uma reunião entre o governo brasileiro e o secretário do Tesouro dos EUA, esfriando as esperanças de negociação. Apesar do cenário adverso, o real acumula valorização de 13% frente ao dólar em 2025 e o Ibovespa sobe 11%, sinalizando resiliência do mercado financeiro.
Analistas alertam que, sem estratégias rápidas de adaptação, o impacto nas exportações pode se tornar estrutural, reduzindo a competitividade de municípios que dependem fortemente do comércio com os EUA.