Café nas alturas, hortaliças em queda: preços do agro disparam no 1º semestre de 2025

O primeiro semestre de 2025 foi de fortes emoções para o bolso – e para a paciência – de produtores e consumidores no campo. Segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, o IPPA/Cepea, que mede os preços pagos aos produtores agropecuários, saltou 18,4% na comparação com o mesmo período de 2024. O avanço foi muito acima dos preços internacionais de alimentos, que subiram apenas 0,2% no mesmo intervalo, e também superou os preços industriais (+5,6%) e a valorização do dólar (+13,2%).

Entre os destaques de alta, o café roubou a cena: o IPPA-Cana-Café/Cepea disparou 32,6% no semestre, puxado por valores recordes no início do ano. A escalada veio da combinação explosiva de oferta limitada no Brasil e no Vietnã, estoques baixos e demanda internacional firme. Na pecuária, o avanço foi de 27,3%, com todos os produtos subindo: arroba bovina (+36%), suíno (+29,6%), leite (+16,6%), ovos (+16,5%) e frango (+15%). Já nos grãos, a alta foi de 8,9%, puxada principalmente pelo milho (+27,7%) e trigo (+13,7%), enquanto o arroz afundou 26,3%.

Nem todos, porém, surfaram essa onda. O IPPA-Hortifrutícolas/Cepea caiu 12,4%, pressionado pelo tombo da batata (-51,3%), tomate (-20,5%) e banana (-20,2%). A laranja ficou praticamente estável (+0,1%). Apesar da disparada no início do ano, o índice geral perdeu fôlego no segundo trimestre, caindo 2% em relação aos três primeiros meses de 2025, em sintonia com a desaceleração dos preços internacionais convertidos para reais.

Seja para o produtor que comemorou preços recordes ou para o consumidor que sentiu o peso no bolso, o semestre provou que no agronegócio as curvas de preços podem mudar de rumo tão rápido quanto o clima no campo.

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