A vida dos produtores de cenoura em São Gotardo (MG) tem sido uma montanha-russa sem subida. A safra de verão 2024/25 está praticamente encerrada na região, com a colheita de inverno já a todo vapor. E apesar de a qualidade da cenoura ser, no geral, boa — com apenas alguns problemas pontuais de pragas e questões fisiológicas — o verdadeiro “bicho-papão” da vez é o bolso do agricultor.
Entre novembro de 2024 e julho de 2025 (até o dia 11), o preço médio pago na roça foi de R$ 0,97 por quilo. Parece justo? Nem tanto. Esse valor mal cobre os custos de produção e, em alguns meses, foi ainda pior: a cotação chegou à faixa dos R$ 0,50/kg. O resultado? Cenouras perdidas, áreas inteiras abandonadas ou direcionadas à ração animal. A conta simplesmente não fecha.
E o drama não começou agora. A crise já vinha cozinhando desde o inverno de 2024, quando o clima ajudou a produzir cenouras lindas e abundantes — só que demais. Com tanto produto no mercado, os preços despencaram, chegando a míseros R$ 0,22/kg em alguns momentos. Era cenoura para todo lado e consumidor que é bom… pouco. A superoferta nacional travou o escoamento e afundou ainda mais a rentabilidade dos produtores.
Para a nova safra de inverno de 2025, o sinal de alerta segue ligado. As lavouras estão se desenvolvendo bem, o que pode significar mais uma enxurrada de cenouras. E com os preços ainda baixos, o medo é de que o filme do prejuízo volte a passar — com direito a reprise em horário nobre no campo mineiro.