Alerta cítrico (e além): tarifa dos EUA ameaça suco, café, carne e frutas do Brasil

Alerta no Agro: tarifa dos EUA ameaça suco, café, carne e frutas brasileiras!

Uma possível tarifa adicional de até 50% sobre produtos brasileiros, prevista para entrar em vigor nos Estados Unidos em 1º de agosto de 2025, acendeu o alerta vermelho no agro nacional. O sinal vem forte especialmente para o suco de laranja, carro-chefe das exportações brasileiras ao mercado norte-americano. Segundo pesquisadores do Cepea (ESALQ/USP), o setor já sente os impactos da incerteza, com suspensão de contratos e vendas no mercado spot entre R$ 40 e R$ 45 por caixa. O cenário é ainda mais preocupante porque vem junto a uma excelente safra no estado de São Paulo e no Triângulo Mineiro, estimada em mais de 314 milhões de caixas – um crescimento de 36% sobre o ciclo anterior. Sem os EUA, o suco pode literalmente “encalhar”.

No café, o impacto vai além do produtor rural. Como os EUA não produzem o grão, a sobretaxa colocaria em xeque toda a cadeia interna americana, que inclui torrefadoras, cafeterias e redes de supermercado. O Brasil é o principal fornecedor, especialmente do arábica. Pesquisadores do Cepea alertam que o momento é delicado: produtores estão vendendo o mínimo para manter o caixa enquanto aguardam mais clareza sobre o futuro tarifário.

A carne bovina, por sua vez, já sente o baque. Depois de recordes em março e abril, as exportações para os EUA caíram bruscamente: foram 47 mil toneladas em abril, contra apenas 18 mil em junho. A queda coincidiu com o aumento dos embarques para a China, que vem absorvendo parte da produção, mas não sem ajustes – nem todos os cortes são os mesmos. Goiás e Mato Grosso do Sul lideram as perdas, com recuos acima de 50% nos embarques para os EUA.

No campo das frutas frescas, a tensão está no ar. A manga, que inicia sua temporada de exportação aos Estados Unidos em agosto, já enfrenta postergações de embarque. A uva, cuja janela abre em setembro, também entra no radar. Até pouco tempo atrás, havia expectativa de expansão nas vendas, mas o otimismo deu lugar à cautela. Com menos frutas indo para os EUA, o excesso de oferta pode provocar quedas de preço no Brasil e na Europa.

Embora ainda não seja oficial, a sinalização da tarifa já desorganiza fluxos comerciais, compromete contratos e ameaça a rentabilidade de um dos setores mais estratégicos da economia brasileira. Se confirmada, a medida dos EUA poderá transformar um bom ciclo agrícola em uma dor de cabeça generalizada para o campo – e para o consumidor.

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