O preço do leite captado em abril caiu 3,3%, chegando a R$ 2,7415 por litro na “Média Brasil”, segundo pesquisa do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. Apesar da queda, o valor ainda é 5,7% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, já considerando a inflação medida pelo IPCA de abril.
O recuo nos preços chama atenção por acontecer em um momento atípico do ano, mas especialistas explicam: a oferta segue firme, enquanto a demanda por lácteos está enfraquecida. Dados do Cepea, em parceria com a OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), mostram que as vendas de derivados lácteos desaceleraram mais do que o esperado, especialmente no caso da muçarela. Esse produto, muito negociado entre laticínios e canais de distribuição em São Paulo, sofreu uma desvalorização de 3% no mês.
Enquanto isso, a produção no campo não cedeu. O ICAP-L (Índice de Captação do Leite) subiu cerca de 3% de março para abril, crescimento acima do padrão para o período em muitas regiões produtoras. A explicação está no clima favorável, na boa qualidade das silagens e nas margens ainda atrativas para os produtores, que mantêm a atividade aquecida mesmo com a aproximação da entressafra, especialmente no Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Embora os custos com alimentação animal continuem elevados, o ritmo de aumento neste ano tem sido mais contido. Além disso, o poder de compra do pecuarista em relação ao milho vem diminuindo mês a mês, mas, ainda assim, os resultados do início de 2025 foram melhores do que os dos últimos anos, incentivando investimentos na produção.
Com uma oferta mais estável mesmo durante a entressafra, uma demanda fragilizada e a rentabilidade da indústria em queda, agentes do setor já projetam que os preços ao produtor podem continuar em trajetória de baixa ao longo do terceiro bimestre deste ano. A combinação de fatores reforça a ideia de que o mercado de leite está vivendo uma dinâmica incomum, que exigirá atenção redobrada dos produtores e da indústria nos próximos meses.

