Depois de um início de ano marcado por sucessivas altas, o mercado de leite no Brasil começa a dar sinais de alívio. Em março, o preço do leite captado subiu pelo terceiro mês seguido, com uma valorização de 1,3%, atingindo R$ 2,8241 por litro na “Média Brasil”, segundo o Cepea. Apesar disso, o ritmo de avanço perdeu força. Na comparação anual, o preço real — ou seja, descontada a inflação — ficou 15% mais caro do que em março do ano passado, reflexo da intensa competição entre indústrias pela compra da matéria-prima.
Mas nem tudo são altas. As pesquisas do Cepea indicam que, para abril, há tendência de queda nos valores pagos aos produtores. O motivo? A demanda final anda meio fraca, limitando o fôlego das cotações. Isso significa que o consumidor pode, em breve, sentir algum alívio no bolso ao comprar leite e derivados no supermercado.
Aliás, falando em derivados, os preços no atacado paulista mostraram comportamentos variados. O leite UHT, aquele de caixinha, ficou 0,79% mais barato em abril, com média de R$ 4,43 por litro. Já o queijo muçarela recuou ainda mais: 2,77%, fechando a R$ 32,63 o quilo. Na contramão, o leite em pó fracionado (400g) se valorizou 2,38%, alcançando R$ 32,39 o quilo. Em um ano, o UHT teve leve baixa de 0,57%, enquanto a muçarela e o leite em pó subiram, respectivamente, 7,41% e 10,22%.
Outro dado que chama atenção é o tombo nas exportações brasileiras de lácteos. Depois de três meses de crescimento, o volume embarcado caiu expressivos 41,05% entre março e abril, e 22,49% na comparação com abril de 2024. As importações também diminuíram, mas em menor intensidade: 11,6% no comparativo mensal e 16,87% no anual, conforme dados da Secex, analisados pelo Cepea.
Por outro lado, o produtor ainda lida com aumento nos custos. Pelo quarto mês consecutivo, os gastos com a produção de leite subiram, com destaque para os insumos de nutrição animal. Em abril, o Custo Operacional Efetivo (COE) avançou 0,28% frente a março, considerando-se a “Média Brasil” que inclui sete estados (BA, GO, MG, SC, SP, PR e RS).
Ou seja: enquanto os preços na gôndola podem começar a cair, o produtor segue apertado, tentando equilibrar as contas em meio a custos mais altos e um mercado que começa a esfriar.