Investidores trocam dólar por suco de laranja e preços disparam na Bolsa de Nova York

Depois de amargar dois meses de queda, o suco de laranja concentrado (FCOJ) voltou a ser protagonista na Bolsa de Nova York (ICE Futures), com uma recuperação expressiva nos preços ao longo de abril. Mas o que está por trás dessa virada no mercado? Spoiler: não é só a fruta que está em alta — o jogo é do mercado financeiro.

De acordo com pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), o movimento tem menos a ver com a laranja em si e mais com os ventos que sopram em Wall Street. Com as incertezas sobre novas taxações nos Estados Unidos, muitos investidores decidiram deixar o dólar de lado e buscar refúgio em commodities, entre elas o suco de laranja, que acabou ganhando uma valorização repentina.

Outro fator que pode ter esquentado ainda mais esse copo foi o famoso “tarifaço” americano. As tarifas aplicadas aos envios do suco para os EUA parecem ter mexido nas engrenagens do mercado, gerando especulações e influenciando diretamente nas negociações futuras da commodity.

Apesar da laranja brasileira ter um peso considerável no mercado dos Estados Unidos, os pesquisadores do Cepea alertam que essa disparada de preços não está necessariamente ligada à produção nacional. Na verdade, o suco brasileiro tem enfrentado críticas lá fora — a qualidade do produto não anda lá essas coisas, e isso pode ter pressionado os preços para baixo recentemente.

Ou seja: enquanto o cenário internacional aquece o valor do suco na Bolsa, a laranja tupiniquim amarga um pouco no paladar global. Mas, como tudo no mercado financeiro, os humores mudam rápido — e talvez seja só uma questão de tempo para o Brasil adoçar novamente esse mercado.

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