CTC quer dobrar a produtividade da cana até 2040 e aposta em biotecnologia para liderar transição energética

Piracicaba foi palco, nesta semana, do CTC Day, evento promovido pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) que reuniu os grandes nomes do setor sucroenergético, investidores e autoridades para apresentar o que há de mais moderno em tecnologia voltada à cana-de-açúcar. A estrela do dia foi a promessa ambiciosa do CTC: dobrar a produtividade da cana até 2040. O plano passa por inovações em melhoramento genético, biotecnologia de ponta e o fortalecimento do Projeto Sementes, que busca otimizar a multiplicação de variedades mais eficientes e adaptadas ao clima tropical.

Além das demonstrações tecnológicas, o evento contou com a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que não poupou elogios ao setor e defendeu investimentos robustos na lavoura mais versátil do país. “Dessa lavoura, nada se perde”, reforçou Tarcísio, destacando o papel da cana na geração de etanol de primeira e segunda geração, biogás, fertilizantes, biometano e até combustível sustentável para a aviação. Segundo ele, o setor simboliza a transição para uma economia de baixo carbono e deve ser tratado como prioridade para o desenvolvimento do Brasil.

Durante o evento, também foi apresentado um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontando o potencial de descarbonização com base nas novas tecnologias desenvolvidas pelo CTC. A ideia é mostrar que investir em cana-de-açúcar vai além da produtividade agrícola: é apostar num futuro energético limpo e competitivo. Atualmente, o complexo sucroalcooleiro representa 27% das exportações do agronegócio paulista, gerando US$ 1,09 bilhão – com 91,6% desse valor vindo do açúcar e 8,4% do etanol.

São Paulo lidera com mais de 5,5 milhões de hectares cultivados, o que representa mais da metade dos 10 milhões de hectares de cana plantados no Brasil. O estado conta com cerca de 180 usinas, sendo que 70 estão estrategicamente posicionadas a apenas 20 km de gasodutos, o que abre portas para uma logística mais eficiente e sustentável. Não por acaso, o Brasil já se destaca com 15,4% de sua matriz energética composta por fontes renováveis, superando com folga a média global e até a dos países da OCDE.

No fim das contas, o recado do CTC Day é claro: a cana-de-açúcar está mais tecnológica, mais sustentável e pronta para dobrar de tamanho sem dobrar o impacto ambiental. E o futuro, ao que tudo indica, vai ser doce — e limpo.

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