Tarifas dos EUA mexem com a pecuária: demanda lá fora pode subir, mas bolso do brasileiro pesa mais

O setor pecuário brasileiro está de olho nas mudanças do cenário internacional, especialmente após a imposição de tarifas comerciais pelos Estados Unidos. E a pergunta que não quer calar é: isso vai ser bom ou ruim para a carne brasileira? A resposta, como quase tudo na economia, é: depende.

Segundo pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), há um efeito duplo em jogo. De um lado, com a aplicação de tarifas pelos EUA, outros países podem procurar novos fornecedores de produtos agropecuários — e aí o Brasil entra como forte candidato. A demanda externa por carne bovina brasileira pode, sim, se manter aquecida, mesmo que algumas economias importadoras estejam enfrentando dificuldades.

Por outro lado, os mesmos especialistas alertam que tarifas diretas dos Estados Unidos ao Brasil e a instabilidade econômica global podem afetar negativamente diversos setores por aqui. O resultado disso pode ser queda nos investimentos, aumento do desemprego e, claro, uma diminuição na renda dos brasileiros. E esse ponto é sensível: cerca de 72% da carne bovina produzida no país é consumida internamente, segundo dados do IBGE e da Secex. Ou seja, mesmo que as exportações ganhem força, o consumo interno ainda é o grande termômetro do setor.

No ano passado, as exportações representaram 28,16% da produção total de carne bovina nacional. Um número relevante, mas ainda distante do total necessário para sustentar o mercado por conta própria. Por isso, o alerta dos pesquisadores do Cepea é claro: o sucesso do setor depende fortemente do poder de compra dos brasileiros — e se esse poder encolhe, o churrasco também pode encolher.

Assim, o momento é de atenção redobrada. O mercado externo pode até sorrir para a carne brasileira, mas é no prato do consumidor nacional que está o verdadeiro termômetro da pecuária.

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