Trump lança tarifaço e setor de hortifrúti brasileiro fica em alerta: manga e uva no centro da tensão comercial

O setor de hortifrúti brasileiro está com as antenas ligadas após o “tarifaço” anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que impôs tarifas de importação para produtos vindos de 185 países. Entre eles, claro, está o Brasil. Embora o volume de exportações brasileiras de frutas para os norte-americanos ainda seja modesto, o impacto pode ser significativo para produtos como manga e uva, carro-chefe da fruticultura nacional nesse mercado.

Segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, o aumento das tarifas pode deixar os produtos brasileiros menos competitivos nos EUA, comprometendo o já limitado comércio bilateral. Para se ter uma ideia, em 2024, 14% das 258 mil toneladas de manga exportadas pelo Brasil foram para os Estados Unidos, assim como 23% das 59 mil toneladas de uva. No total, apenas 6% das frutas de mesa brasileiras tiveram como destino os norte-americanos — mas isso não significa que o setor não sinta a mudança.

A preocupação vai além das vendas diretas. Com o novo cenário, países como o México, grandes exportadores de frutas aos EUA, podem redirecionar seus embarques para a Europa, elevando a concorrência brasileira no Velho Continente.

Resultado? Mais disputa por espaço nas prateleiras europeias e pressão nos preços. Diante disso, pesquisadores do Cepea recomendam acompanhar de perto quais países concorrentes estão enfrentando as tarifas mais altas — afinal, o grau da taxação pode ditar o rumo das estratégias comerciais globais. O jogo da exportação de frutas ficou mais apertado, e o Brasil precisa se mover rápido para não perder terreno nesse tabuleiro internacional.

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