O agronegócio brasileiro está vivendo um verdadeiro cabo de guerra de preços, e quem está no meio desse embate é o setor suinícola. De um lado, o milho, essencial na alimentação dos suínos, segue em forte valorização, acumulando alta de 24% só neste ano e chegando a R$ 90 por saca de 60 kg na região de Campinas (SP), segundo o Cepea. Do outro, o preço do suíno vivo está em queda, pressionado pela oferta elevada e pela menor demanda dos frigoríficos. Essa combinação indigesta tem reduzido as margens de lucro dos produtores, que veem seus custos dispararem enquanto as receitas seguem ladeira abaixo.
Os estoques baixos de milho e a demanda aquecida têm sido os principais motores da valorização do cereal. Já o mercado de suínos enfrenta um cenário oposto: há mais animais disponíveis do que a indústria consegue absorver, resultando na desvalorização do produto. O temor no setor é que essa equação continue desfavorável, colocando em risco a sustentabilidade da atividade para muitos criadores.
O cenário liga o alerta para suinocultores que precisam equilibrar contas cada vez mais apertadas. Com a alimentação representando um dos maiores custos da produção, qualquer alta no milho pesa diretamente no bolso dos produtores. E, com a receita encolhendo, a pergunta que fica no ar é: até quando o setor vai conseguir segurar esse jogo de cintura? A resposta pode vir das próximas movimentações do mercado e das políticas que influenciam a oferta e demanda de grãos e proteínas.