Carne suína perde espaço no mercado: entenda o que aconteceu em fevereiro

Se você percebeu que a carne suína ficou menos atraente no mercado em fevereiro, não foi impressão sua! Um levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da USP, mostrou que a competitividade da proteína caiu no mês passado, especialmente em comparação com seus principais rivais: carne bovina e frango. O motivo? Uma alta significativa nos preços do porco, enquanto o boi desvalorizou e o frango enfrentou desafios próprios.

Na Grande São Paulo, a carne suína subiu 10,8% em relação a janeiro, chegando a R$ 13,20 o quilo. Essa valorização ocorreu mesmo com a demanda mais fraca, o que deixou o produto menos competitivo frente às opções disponíveis. Enquanto isso, a oferta de carne bovina bateu recorde, impulsionando o consumo. A soma da produção de janeiro e fevereiro deste ano superou em 10% o volume do mesmo período de 2024 e em 38% o de dois anos atrás. Com mais boi no mercado, os preços cederam, deixando a proteína mais acessível ao consumidor.

Por outro lado, os avicultores enfrentaram um aumento nos custos de produção, principalmente no preço do milho, essencial para a alimentação das aves. O indicador do milho Esalq/BM&FBovespa apontou uma elevação de 8,9% no preço da saca de 60 kg em fevereiro, fechando o mês em R$ 80,76. Esse cenário encareceu a criação de frangos e limitou a margem dos produtores, mas o preço do frango vivo acabou caindo devido à menor demanda. O quilo da carne de frango ficou, em média, R$ 5,37 no estado de São Paulo, uma queda de 2,4% em comparação a janeiro.

A oferta elevada de carne bovina foi um dos fatores decisivos para a perda de espaço da carne suína. Segundo o Cepea, mesmo com o grande volume disponível, o preço da carcaça com osso no atacado paulista ficou 25% acima do registrado no início de 2024. As exportações de carne bovina também cresceram, subindo cerca de 6% na comparação bimestral com o ano passado e 33% em relação a 2023.

Com todos esses elementos em jogo – alta no preço do porco, oferta recorde de boi e aumento nos custos do frango –, o consumidor sentiu as mudanças no bolso e nas prateleiras. A carne suína ficou menos atraente, enquanto o boi e o frango seguiram caminhos diferentes, cada um enfrentando seus próprios desafios. Agora, resta acompanhar os próximos meses para ver se o mercado encontra um novo equilíbrio ou se a carne de porco continuará disputando espaço no prato dos brasileiros!

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