Pesquisadores da Esalq/USP sugerem nova estratégia para preservar a diversidade genética da Amazônia

Se tem uma coisa que a Amazônia sabe fazer bem, além de ser um espetáculo da biodiversidade, é nos desafiar a cuidar dela do jeito certo. E parece que os pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) encontraram uma maneira ainda mais eficiente de proteger a diversidade genética da floresta: abandonar os critérios generalistas e investir em estratégias específicas para cada espécie de árvore. Em outras palavras, é como trocar uma receita de bolo genérica por uma feita sob medida para cada ingrediente!

O estudo apontou que a proximidade entre as árvores remanescentes após a exploração madeireira é essencial para garantir a troca de genes entre as espécies e, consequentemente, sua adaptação e sobrevivência. A abordagem tradicional baseada no Diâmetro Mínimo de Corte (DMC) – aquela regra que define o tamanho mínimo das árvores que podem ser retiradas – pode não ser a mais eficaz para manter esse fluxo gênico. Então, os cientistas propuseram um novo critério: a Distância Mínima de Corte (DMCdistância), que leva em conta a proximidade entre as árvores que continuam de pé.

Os pesquisadores testaram esse método em quatro áreas da Amazônia, incluindo propriedades privadas certificadas no Amazonas e concessões florestais no Pará e em Rondônia, totalizando impressionantes 48.876 hectares. E os resultados são promissores! Descobriram que um manejo florestal adaptado às características de cada espécie é mais eficiente do que a abordagem única adotada pela legislação brasileira. Isso significa que, se quisermos uma floresta mais saudável e diversa, precisamos ajustar nossas regras ao ritmo natural das árvores.

Foto: Edson Vidal

De acordo com o professor Edson Vidal, um dos autores do estudo publicado na revista Forest Ecology and Management, manter as árvores a uma distância adequada favorece a polinização cruzada, aumentando a variabilidade genética e tornando a floresta mais resistente a pragas, doenças e mudanças ambientais. Ou seja, a natureza já tem seu próprio sistema de resiliência, só precisamos aprender a respeitá-lo.

O estudo reforça a necessidade de revisar as normas de exploração madeireira e adotar políticas que conciliem produção e conservação ambiental. Afinal, preservar a Amazônia não significa apenas manter as árvores de pé, mas garantir que elas continuem interagindo entre si para perpetuar esse ecossistema único. Quem diria que a distância entre árvores poderia fazer tanta diferença, não é mesmo?

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