No segundo mês oficial da entressafra 2024/25, o mercado de açúcar cristal registrou queda nos preços no estado de São Paulo. O Indicador CEPEA/ESALQ apontou média de R$ 143,74 por saca de 50 kg em fevereiro, recuo de 7,45% em relação a janeiro e de 1,54% na comparação anual. A desvalorização, acumulada em 9,38% ao longo do mês, fez com que a venda no mercado spot paulista perdesse a vantagem sobre as exportações pela primeira vez desde outubro de 2024. No arroz, a transição de safra no Rio Grande do Sul resultou em desvalorização contínua, com produtores cedendo nos preços diante da necessidade de liquidez e da maior oferta do cereal, enquanto o setor de vendas enfrentou dificuldades em repassar custos ao atacado e varejo.
O algodão manteve preços estáveis no mercado interno desde o início do ano, mas a guerra comercial entre EUA e China pode aquecer a demanda externa pela pluma brasileira, o que tende a reduzir estoques e sustentar as cotações domésticas. No mercado do boi, frigoríficos foram influenciados pelo aumento da oferta de vacas para abate e pela pressão de atacadistas por cortes nos preços da carne. A maior disponibilidade de fêmeas no abate reduziu o valor da carne bovina feminina, facilitando sua comercialização. O frango apresentou oscilações regionais nos preços, com altas no início de fevereiro devido à maior demanda salarial, mas pressão baixista no final do mês devido ao arrefecimento da procura.
O café arábica registrou novo recorde real nos preços, com a saca de 60 kg atingindo média de R$ 2.627,79, alta de 12,64% em relação a janeiro. No etanol hidratado, os preços médios na entressafra 2024/25 superaram os registrados durante a safra, algo que não ocorria desde 2020/21, atingindo R$ 2,8193/litro. O feijão enfrentou transição de safra, com valorização de lotes de maior qualidade e queda nas cotações de feijões comerciais, enquanto o milho teve alta expressiva nos preços devido à combinação de demanda firme e menor oferta, já que produtores priorizaram entregas antecipadas.
Nos ovinos, os preços variaram conforme a região: São Paulo registrou alta de 0,8% para R$ 13,38/kg, enquanto no Paraná o avanço foi de 1% (R$ 13,75/kg). Já no Rio Grande do Sul, houve leve recuo de 0,5% para R$ 10,66/kg. Na soja, o avanço da colheita elevou a liquidez no mercado, mas compradores mostraram cautela em adquirir grandes volumes, prevendo novas quedas nos preços diante da safra recorde brasileira e do aumento da oferta na Argentina e Paraguai. No trigo, os preços subiram expressivamente devido à entressafra e à retração de vendedores, que esperam novas altas. A baixa disponibilidade de trigo de qualidade também incentivou a priorização de importações, apesar da redução nos volumes comprados.