Se tem um setor que sabe aproveitar oportunidades, esse é o agronegócio brasileiro. Em meio às turbulências da relação comercial entre China e Estados Unidos, o Brasil reforça sua posição como fornecedor de soja para o gigante asiático. Nos dois primeiros meses de 2025, 79% de toda a soja exportada pelo país teve como destino a China, um crescimento em relação aos 75% registrados no mesmo período de 2024. Os dados são da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).
A escalada da guerra comercial após o retorno de Donald Trump à Casa Branca vem resultando em novas tarifas impostas por Pequim sobre a soja americana, com um adicional de 10%, tornando o produto brasileiro ainda mais competitivo. No entanto, nem tudo são flores: apesar da fatia maior no mercado chinês, o volume total exportado caiu para 10,7 milhões de toneladas nos dois primeiros meses do ano, ante 12 milhões no mesmo período de 2024. Esse recuo reflete atrasos na colheita e os impactos da quebra de safra do ano passado.
O lado positivo é que os prêmios de exportação já começaram a subir, e a demanda chinesa promete aquecer ainda mais as vendas brasileiras. Para março, a projeção é de um salto para 14,8 milhões de toneladas, um aumento de 1,25 milhão em relação ao mesmo período do ano passado. No entanto, os exportadores ainda precisam lidar com desafios logísticos para garantir que essa demanda seja atendida sem grandes contratempos.
Enquanto isso, o Brasil segue navegando nessa maré favorável, consolidando sua posição como maior fornecedor de soja para a China. Com os americanos em desvantagem na disputa comercial, os produtores brasileiros podem aproveitar esse cenário para expandir sua participação no mercado global. A questão agora é: até quando essa janela de oportunidade permanecerá aberta?